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Sistema de apanhadores das “flores sempre-vivas” obteve reconhecimento internacional

Prática centenária no Jequitinhonha foi reconhecida pela FAO como patrimônio agrícola mundial

Crédito: João Roberto Ripper / Divulgação

 

A coleta das flores sempre-vivas, que é tradição centenária das comunidades da região da Serra do Espinhaço, no Vale do Jequitinhonha, acaba de ser reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) para a alimentação e a agricultura (FAO). A partir de agora, a prática integra o seleto grupo dos Sistemas Importantes do Patrimônio Agrícola Mundial (Sipam). A entrega do prêmio foi realizado na manhã desta quarta-feira, dia 11 de março, em Brasília (DF), contando com a presença das diversas autoridades, além de representantes dos apanhadores deste tipo de flores. O objetivo é de certificar as populações em preservar os métodos seculares de manejo da terra e mantêr, dentro do seu habitat, além das relações sustentáveis com o meio ambiente. É o primeiro reconhecimento dessa natureza no país e considerado o quarto na América Latina.

A senhora Jovita Maria Gomes Corrêa, de 62 anos, afirmou que aprendeu o ofício com os seus pais, ensinando tudo aos filhos e ela espera que as próximas gerações não deixem a tradição morrer. “A panha das flores sempre-vivas me ajudou na criação dos meus 11 filhos. Espero que também ajude os meus netos”, disse. Para Maria de Fátima Alves, uma das coordenadoras da Comissão em Defesa dos Direitos das Comunidades Extrativistas (CODECEX), o reconhecimento valoriza o esforço de famílias inteiras da região do Espinhaço. “A gente já nasce fazendo isso e vamos muito cedo para o campo, junto com a família. Eu mesma comecei com 8 anos. É fantástico ver essa premiação, saber que esse processo agora tem importância para Minas, para o Brasil e o para o mundo”, comemorou.

Abrangência

A expectativa é que, com a chancela internacional, esses lugarejos passem a ter mais visibilidade e, por consequência, ganhos com o turismo e com a economia. Para a secretária de Estado de Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Ana Valentini, o selo vai chamar a atenção para a necessidade do envolvimento de todos na preservação dessas comunidades e da rica cultura que elas carregam através de gerações. “Estamos muito otimistas quanto aos benefícios que o reconhecimento da ONU trará para toda a comunidade envolvida, principalmente para aquelas pessoas que vivem essa realidade de campo, com muita dificuldade, e que têm no extrativismo da sempre-viva sua fonte de renda”, comentou.

Conhecimento

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O secretário de Estado de Cultura e Turismo, Marcelo Matte, comemorou a certificação. “Conquistar o selo Sipam só reforça a importância que as comunidades apanhadoras de flores sempre-vivas têm para o mundo. A secretaria já trabalha em políticas públicas para garantir a dignidade dessas pessoas”, afirmou.

Além das comunidades no Vale do Jequitinhonha, também integram o SIPAM na América Latina o corredor Cuzco-Puno, no Peru, o arquipélago de Chiloé, no Chile, e o sistema de Chinampa, no México. Em todo planeta, há apenas 59 patrimônios agrícolas com este que recebeu o reconhecimento internacional. Junto com a Seapa e a Secult, a Secretaria de Estado de Educação de Minas Gerais (SEE) e a Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese) também participam das ações de apoio.

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