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Cada dia a mais, é um dia a menos!!! (Quinta parte)

(O episódio da mulher congolesa, agricultora familiar)

Cada dia a mais, é um dia a menos!!! (Quinta parte)
(O episódio da mulher congolesa, agricultora familiar)

Lembro-lhes de que encerramos o quarto post, assim:
“?Mas, afinal !!! por que aquela mulher congolesa, líder comunitária nativa, gritava tanto para chamar a minha atenção??!!

Então ouvi a voz do Senhor, conclamando:
-Quem enviarei?! Quem irá por nós?!
E eu respondi:
Eis-me aqui Senhor. Envia-me!”.

Continuando a narrativa: 

Finalmente, o relato do evento inusitado que estava acontecendo naquela tarde, naquela hora, naquele lugar, naquele momento, e que se transformaria num episódio inesquecível para mim e para sempre:

Foi-me relatado que aquela mulher que gritava desesperadamente para chamar minha atenção, era na verdade uma líder comunitária de uma comunidade de agricultores familiares e de pequenos produtores rurais de alimentos, nas imediações da província de Bas-Congo, na RDC.

 Contestualizando e historicizando o episódio, informo que o “Projeto Vozes da África”, com apoio da ABC/MRE (Agência Brasileira de Cooperação/Ministério das Relações Exteriores do Brasil), capacitou presencialmente na UFLA, 60 (sessenta) professores congoleses da RDC, em Tecnologias Socioambientais Sustentáveis da Agroecologia. 

Foram 4 (quatro) turmas de 15 (quinze) capacitandos, sendo 30 (trinta) oriundos da ULPGL (Universidade Livre dos Países dos Grandes Lagos) de Goma, no North Kivu, e 30 (trinta) oriundos da UniKin (Universidade de Kinshasa), capital federal. 

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As capacitações ocorreram no período de novembro de 2011 até abril de 2013. Sendo a primeira (novembro 2011) e a terceira (março 2012), constituídas de professores da ULPGL.                                         

Portanto, a segunda (agosto 2012) e quarta turma (abril 2013), foram constituídas de professores da UniKin.

Curiosamente, nesta quarta turma, os professores interessaram-se muitíssimo por Compostagem, Biofertilização e Biopesticidas, além dos outros temas socioambientais sustentáveis desenvolvidos. 

Em seguida, alguns destes professores, ao retornarem para a RDC, resolveram promover dias de campo (com nossa orientação extensionista participativa), para agricultores familiares, pequenos produtores de alimentos e comunidades carentes, nos arredores de Kinshasa e da província de Bas-Congo. 

O objetivo foi divulgar o aprendizado no Brasil/UFLA, especialmente: Compostagem, Biofertilização e Biopesticidas.

Algumas comunidades foram avisadas previamente, e no dia aprazado, realizou-se o evento, no formato participativo, em que se trabalha COM as pessoas e não PARA as pessoas.
Ou seja: ouça, aprenda e faça com as próprias mãos, para aprender fazendo!!! 

Nunca soubemos como, mas a nossa personagem real, que passaremos a denominar Nathalie, a mulher nativa que gritava para chamar minha atenção, ficou sabendo desta missão congolesa no Brasil, e que o tal professor Gilmar Tavares, que coordenava o projeto, estaria naquele dia e naquele lugar, em visita de avaliações, bem pertinho da comunidade dela. 

Todavia, creio que ela ficou sabendo sobre mim, quando ficou sabendo da capacitação na sua região, uma vez, disseram-me, que os professores congoleses quando falavam da estada no Brasil/Lavras/UFLA, citavam o meu nome. 

Porém, como não havia sido convidada para participar do treinamento, interessada no assunto, revolveu ficar à margem do evento, porém, numa posição estratégica, em que era possível ver e principalmente ouvir a capacitação em curso. E assim, o fez!!! Fantástico!! Magnífico!! 

E captou toda a mensagem, e decidiu aplicar a novidade em sua própria comunidade, um pouco distante dali, que também era essencialmente de agricultores familiares, e que lutavam bravamente para garantir a própria subsistência. 

Com ênfase à Biofertilização, ela produziu a primeira amostra de biofertilizante, para ensinar a todas as famílias comunitárias, e passaram a aplicar a novidade vinda do Brasil/UFLA.

Logo, nas primeiras colheitas: Sucesso total!!! 

Não só os alimentos básicos e fundamentais, mas também os horti-fruti-granjeiros, apresentaram colheitas em quantidades e qualidades suficientes para alimentarem abundantemente a todos, como também com excedentes suficientes para comercializarem nas feiras livres locais. 

E o professor que coordenava isso tudo estava logo ali, bem pertinho dela.

-Ah!! pensou, eu tenho que conhecê-lo e levá-lo para conhecer pessoalmente a minha comunidade. Ele precisa ver o resultado do aprendizado em Agroecologia. Eu tenho um presente para ele!! 

Disseram-me que ela chegou no local, com o sol nascente. Postou-se embaixo de uma árvore frondosa, e não saiu mais de lá, o dia todo!!

O dia todinho me esperando!!! Não aceitou alimentos e só bebeu um pouco de água, mas sem jamais sair do local. Almas solidárias fizeram isso. Que Deus as abençõe ricamente…!!! 

Disseram que ela tinha medo de sair do local e desencontrarmos.
Mas eu estava em outra área e sequer sabia dela.

E ninguém tinha me avisado desta situação. E era muito tarde. Eu queria ir embora. E ela ficou sabendo que eu estava indo embora. 

Então, com medo de sair do local, mas querendo chamar minha atenção, desencadeou uma gritaria em linguajar lingala (idioma vernacular africano) Impressionante!!! 

E não é que eu a ouvi…!!! Sim, eu ouvi a gritaria dela…!!!

-Gratidão Senhor!!!! por eu a ouvir, mesmo estando um pouco longe e a gente não poder se ver diretamente.              

Continuaremos no próximo post.

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